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Gisela Carrilho
Melhor comer sardinha do que salmão?!
18 Outubro 2012

O ciclo de conferências da Gulbenkian sobre o Futuro da Alimentação regressou no passado dia 16 – Dia Mundial da Alimentação - com a temática do consumo de peixe e os riscos e benefícios associados a este consumo. Que o peixe faz bem, sobretudo os mais ricos em ómega 3, é uma mensagem que grande parte já interiorizou. Mas há um outro lado, menos falado: os riscos. E estes prendem-se essencialmente com os contaminantes.

Nem todos os peixes têm os mesmos níveis de contaminantes, nomeadamente de metilmercúrio. Os que têm níveis mais elevados são os que estão no topo da cadeia alimentar, ou seja, aqueles que se alimentaram de outros peixes e crustáceos que já tinham retido metilmercúrio que, por sua vez, tinham ingerido o do fitoplâncton e zooplâncton. E no topo estão peixes como o peixe-espada preto, os tubarões, as raias, o espadarte e, "em menor grau", o atum.  S
e absorvido em quantidades elevadas, o metilmercúrio afecta o sistema neurológico. E, sobretudo, pode ter consequências bastante negativas sobre o feto se as mulheres grávidas ou a amamentar consumirem muito uma determinada espécie de peixe mais contaminado. 


De acordo com o investigador José Luís Domingo há três coisas fundamentais a ter em conta quando se escolhe um peixe.

  • 1.     Procedência;
  • 2.     Variedade: não consumir sempre a mesma espécie;
  • 3.     Evitar consumir quantidades muito grandes de um tipo de peixe numa refeição.

O consumo de peixe em Portugal diz-nos que a frequência do consumo de bacalhau e sardinha (fresca e em conserva) é superior entre os mais velhos; e o salmão é mais consumido entre as faixas etárias mais jovens. A questão é que o salmão é de facto um peixe que tem ómega 3, mas também muito ómega 6, e "já temos na nossa dieta muitas fontes de ómega 6". Sendo de aquacultura, o salmão alimenta-se em grande parte de rações de origem vegetal, e são estas que contribuem para o aumento dos níveis de ácidos gordos ómega 6. Devemos, por isso, privilegiar espécies de peixe que nos dêem ómega 3 sem aumentarem excessivamente o nosso consumo de ácidos gordos ómega 6, que têm um efeito pró-inflamatório negativo para uma série de doenças, como a artrite reumatóide. E não é isso que acontece com o salmão.  Assim é preferível optar por sardinha – que é um peixe do mar, não alimentado a ração, e é abundante na costa portuguesa. Tal como outros peixes cujo consumo é aconselhado: o carapau, a cavala, a sarda. 

A forma de cozinhar também tem implicações. O produto pode ter determinados contaminantes mas, se for cozinhado de uma certa forma, esses contaminantes serão absorvidos pelo nosso organismo com maior ou menor facilidade. O mesmo se aplica aos nutrientes. 


Comentários

O que temos de fazer de cada vez que comemos peixe é encontrar o equilíbrio entre estes riscos e os benefícios. As pessoas têm de seleccionar bem o peixe que comem e a forma de cozinhar utilizada. Não há motivos para alarme pois ainda não estamos a exceder os limites. Mas o óptimo seria que todos tivéssemos níveis de contaminação zero.E, idealmente, que atacássemos as causas da contaminação. 

Portanto fica registada a nota.... "os alimentos não vêm de Marte, são da nossa terra e somos nós que os contaminamos”. É preciso estar atento e ser um consumidor cada vez mais consciente. 


Publicado por:
Gisela Carrilho
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