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Gisela Carrilho
Estudo britanico questiona a duração do aleitamento materno exclusivo?
28 Janeiro 2011
IQuase dez anos depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado que a amamentação em exclusivo até aos seis meses beneficia os bebés, um estudo publicado no British Medical Journal vem dizer o contrário. O grupo de investigadores reconhece os benefícios da amamentação, mas defende que este deve ser complementado com outros alimentos..

Em 2002, a OMS estabeleceu recomendações mundiais no sentido de os bebés serem exclusivamente alimentados com leite materno durante os seis primeiros meses de vida, podendo a amamentação prolongar-se como complemento até aos dois anos. Muitos países ocidentais não seguiram estas recomendações mas, em 2003, o Reino Unido, de onde são os autores do estudo, adoptou as guidelines da OMS, à semelhança de Portugal.

Em Portugal, nos últimos anos, a tendência tem sido a de incentivar o aleitamento materno exclusivo. O próprio Plano Nacional de Saúde 2004-2010, que agora termina, definia um período de duração do aleitamento materno como meta prioritária. Também a Direcção-Geral da Saúde (DGS) refere que, “de acordo com as estatísticas disponíveis, à data da alta hospitalar a larga maioria das puérperas e seus recém-nascidos terão como plano alimentar esperado o aleitamento materno exclusivo, o que permite falar numa taxa de 90% de iniciação”.

Teresa Félix, secretária da mesa do Colégio de Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia da Ordem dos Enfermeiros, lembra que um único documento não é suficiente para alterar toda a prática que tem sido desenvolvida. Refere que “o mais importante é manter a amamentação mesmo que se introduza outro alimento, uma vez que o leite materno é fundamental em termos nutricionais e um alimento que é impossível igualar e que atende às necessidades do bebé”.

Algumas das organizações mais importantes, de renome internacional, como a World Health Organization, American Academy of Pediatrics, National Institute of Child Health & Human DevelopmentAmerican and British Dietetic Association recomendam o leite materno como sendo o melhor alimento para o bebé.
 
O leite materno fornece os nutrientes essenciais que o lactente necessita nos primeiros 6 meses de vida na quantidade adequada; está adaptado à imaturidade gastro-intestinal sendo facilmente digerido e assume um papel preponderante ao reforçar o sistema imunitário diminuindo o risco de infecções e alergias (diarreia, infecções respiratórias,meningite,asma) e protegendo contra diversas doenças crónicas (obesidade, diabetes mellitus). Para além disso melhora o desenvolvimento mental do bebé; desenvolve os músculos da face diminuindo as dificuldades da fala; promove uma ligação emocional, forte e precoce, entre a mãe e a criança, designada tecnicamente por vínculo afectivo; e ainda melhora a formação da boca e o alinhamento dos dentes.

Para a lactante salienta-se a maior segurança e menor ansiedade; facilita a normalização do peso da lactante; auxilia o útero a regressar ao seu tamanho normal mais rapidamente; a perda de sangue depois do parto acaba mais cedo; protecção contra o cancro da mama que surge antes da menopausa; protecção do cancro do ovário e prevenção da osteoporose.
Para a familia são vários os beneficios, entre os quais o baixo custo; está sempre pronto sem ser necessário recorrer a biberões, esterilizadores, etc. e contribui para uma melhor qualidade de vida.

E ainda, para o planeta trata-se de um acto ecológico, não desperdiça recursos naturais e não produz lixos ou poluição.
A carência em ferro do leite materno, muitas vezes mencionada, está assegurada no período de amamentação pelas reservas que o bébe adquire “in utero”.

A OMS acompanha de perto as novas descobertas científicas e actualiza periodicamente as suas recomendações. As revisões sistemáticas acompanhadas de uma avaliação da qualidade das evidências cientificas são usados para fazer a revisão das diretrizes que visa assegurar que as recomendações são baseadas nas melhores evidências disponíveis e livres de conflitos de interesse. As Recomendações da OMS são globais e universais e aplicam-se a todos os países. O artigo publicado no British Medical Journal não é o resultado de uma revisão sistemática. A última revisão sistemática sobre o assunto foi publicado em 2009 (“Optimal duration of exclusive breastfeeding (Review)”, e incluiu estudos realizados em países desenvolvidos e em desenvolvimento e as suas conclusões são favoráveis às actuais recomendações da OMS.
Assim, é unânime a perplexidade com que toda a nossa equipa recebeu os resultados revelados neste estudo, uma vez que levantam duvidas sobre as propriedades indiscutiveis do leite materno, mantendo-se a nossa convicção e recomendação de que o leite materno é o alimento perfeito para o seu bebé, e este deve ser estimulado o mais possível.

Por isso é que nas nossas consultas de Preparação da Maternidade, vamos continuar a incentivar o aleitamento materno.

Gravidez e amamentação
Publicado por:
Gisela Carrilho
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