SCIENCE NEWS Nº6 | ABRIL | 2008
MEDICINA INTEGRADA E FUNCIONAL
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Probióticos -

em defesa da saúde feminina! 

 No útero, o nosso tubo digestivo é um ambiente estéril. A colonização inicial do intestino ocorre durante o parto e é feita pelos microrganismos que constituem a flora vaginal e fecal materna. Em poucos meses após o nascimento, é estabelecida uma população microbiana relativamente estável. Esta microflora intestinal abundante, diversificada e dinâmica vive habitualmente numa relação simbiótica complexa com as células da mucosa. Cerca de 100 biliões de células bacterianas beneficiam de um fluxo de nutrientes constante e de uma temperatura estável. O hospedeiro beneficia da capacidade da microflora intestinal sintetizar vitamina K, exercer efeitos tróficos sobre as células epiteliais intestinais, inibir o crescimento de patogénios, sustentar a integridade da barreira intestinal e manter a homeostasia imunitária da mucosa.

 A Organização Mundial de Saúde define probióticos como "organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro". As bactérias probióticas têm efeitos benéficos, directos e indirectos, no epitélio intestinal, por favorecerem a função de barreira intestinal, modularem o sistema imunitário, produzirem antimicrobianos e alterarem favoravelmente a microflora intestinal. Tipicamente, são bactérias ácido-lácticas seleccionadas da flora intestinal normal, e são capazes de sobreviver aos sucos gástrico e biliar, mantendo-se viáveis durante períodos prolongados de armazenamento e são seguras para consumo humano. Existem outras bactérias que também têm efeitos benéficos, como E. coli (Nissle 1917) e Saccharomyces boulardii.

 A flora vaginal normal, especialmente do género Lactobacillus, produz "desinfectantes" naturais que ajudam a manter um pH vaginal óptimo e um balanço correcto de microrganismos benéficos na vagina protegendo contra infecções vaginais. Por exemplo, certas estirpes específicas de Lactobacillus produzem substâncias como ácido láctico, peróxido de hidrogénio, e bacteriocinas, que inibem o crescimento de outras bactérias implicadas na vaginose bacteriana. No entanto, existem inúmeros factores que podem perturbar o delicado balanço da microflora normal, tais como, tratamento com antibióticos, alterações na dieta, tabaco, actividade sexual e níveis de stress elevados. Qualquer que seja a causa, esta perturbação leva ao crescimento de microrganismos patogénicos, resultando numa infecção fúngica (a tão famosa candidíase intestinal) ou numa condição menos conhecida, mas não menos frequente, denominada vaginose bacteriana. Este tipo de infecção vaginal está associada com um risco acrescido de desenvolver patologias mais graves como, doença inflamatória pélvica ou infecções sexualmente transmitidas e, parece aumentar o risco de complicações durante a gravidez.

 Estudos recentes identificaram espécies de bactérias que são especialmente eficazes na protecção da microflora intestinal e vaginal, oferecendo resistência contra o crescimento de agentes patogénicos. Em geral, estas bactérias protectoras são classificadas como bactérias Acidophilus ("amigas do ácido"). Ensaios clínicos demonstraram que bactérias do género Lactobacillus, quando consumidas diariamente são especialmente eficazes no estabelecimento e manutenção de uma microflora vaginal saudável. Algumas espécies de Lactobacillus são capazes de inibir o crescimento de organismos patogénicos como Gardnerella vaginalis e Candida albicans. Em 2001, investigadores da Universidade de Ontário demonstraram a habilidade de estirpes específicas de Lactobacillus (L. rhamnosus e L. reuteri) restaurarem e manterem a flora urogenital normal em 28 dias de administração oral diária. Um estudo recente comparou o tratamento de 125 mulheres em idade fértil com vaginose bacteriana. Um grupo foi medicado com antibioterapia associada a placebo e o outro com o mesmo antibiótico associado a probióticos. Ao fim de um mês, 88% das mulheres no grupo da associação com probióticos estava curada, contra apenas 40% das mulheres do primeiro grupo. (18)

 Dada a elevada prevalência e a elevada taxa de recorrência destas infecções, a maioria das mulheres adultas poderia beneficiar de uma estratégia preventiva com probióticos. Para além de reduzir a prevalência destas infecções, ainda se obtêm benefícios inerentes à modulação do sistema imunitário que poderá contribuir para reduzir os níveis de inflamação do organismo.

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