SCIENCE NEWS Nº24 | ABRIL | 2009
MEDICINA INTEGRADA E FUNCIONAL
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Plagiocefalia

 A plagiocefalia é uma deformação assimétrica do crânio que está presente em cerca de 12 a 13% das crianças observadas.

 Existem dois tipos de plagiocefalia: a orgânica, que corresponde ao fecho prematuro de uma ou mais suturas; e a posicional ou funcional, que se desenvolve ao longo das primeiras semanas de vida.

 A plagiocefalia orgânica é rara (5/1000 nascimentos). A craniosinostose pode estar associada a síndromes congénitas de origem genética (1) ou surgir como o resultado de certas forças mecânicas (2) (3) (4). Neste caso, normalmente, só uma sutura é afectada e pode estar associada com estrabismo, astigmatismo e disfunções da linguagem ou psicológicas (5) (6) (7) (8).

 A plagiocefalia posicional é a mais frequente (1/50 nascimentos). Distingue-se segundo o quadrante atingido: anterior ou frontal; posterior ou occipital, dependendo da sutura atingida.

 Existe sempre uma noção de constrangimento mecânico.

 A plagiocefalia posicional pode definir-se como primária ou congénita, quando o constrangimento se dá durante a fase intra-uterina ou durante o parto; ou funcional quando este se dá após o parto. A posição fetal (transversal, nádegas); a restrição do espaço intra-uterino (gravidez múltipla, mioma uterino, macrossomia, céfalo hematoma cefálico) (9) (10) (11). A prematuridade, o oligoamnios (menos de 200cm de liquido amniótico). O encaixe precoce no estreito pélvico, a primiparidade, o parto distócico com utilização de instrumentos (fórceps, ventosa), estão entre os factores desencadeantes.

 A plagiocefalia posicional posterior teve um aumento exponencial, nos últimos 15 anos, devido às campanhas “dormir de costas” para evitar o risco de morte súbita (12) (13) (14). Nesta, existe uma associação de uma assimetria craniana subtil com o posicionamento, em 80 a 90% dos casos existe uma posição preferencial. O recém-nascido tem uma posição cefálica preferencial que corresponde ao lado do achatamento. Este encontra-se mais frequentemente à direita (15) (16) (17) e é também mais frequente nos indivíduos de sexo masculino. A plagiocefalia pode estar associada a torcicolo assim como a outras influências mecânicas provenientes da coluna como a escoliose. (18) (19)

 O crânio toma uma forma de paralelogramo com achatamento occipital de um lado e bossa occipital do outro lado; uma bossa frontal do lado do achatamento occipital; propulsão da orelha do lado do achatamento occipital; desequilíbrio cervical com uma rotação cervical preferencial.

 A diferença da medida entre as duas diagonais do crânio permite avaliar o grau de gravidade sendo entre 0 a 10mm leve; entre 11 a 20mm moderada e acima de 20mm grave.

 A avaliação imagiológica por Tomografia computorizada permite avaliar o posicionamento ósseo, as características das suturas, o estado do parênquima e o tamanho dos espaços sub-aracnoideus.

 O tratamento das formas graves é cirúrgico.

 Nas formas leves e moderada o tratamento é posicional de forma a modificar os apoios. Podem utilizar-se cunhas para corrigir o posicionamento, o uso de ortóteses cranianas nas formas moderadas pode ser necessário.

 A intervenção do osteopata é importante. Consiste na aplicação de técnicas manuais, suaves, que visam harmonizar a dinâmica crânio - sagrada, reequilibrar as lesões intra-ósseas e a elasticidade das membranas de tensão recíproca.
Os cuidados do dia-a-dia são fundamentais quer a título preventivo quer a título correctivo.

 Estimular as rotações da cabeça nos dois sentidos, quando existe rotação preferencial insistir na rotação mais difícil. Evitar deixar a criança em posições prolongadas como na cadeirinha, por exemplo. Pegar na criança ao colo. Sobe vigilância, colocá-la por períodos de barriga para baixo.

Bibliografia:

(1)Kimonis V, Gold J A, Hoffman T L et al 2007 Genetcs of craniosynostosis. Semin Pediatr Neurol 14 : 150-161
(2) Hunenco O, Karmacharya J, Ong et al 2001 Toward an understanding of nonsyndromic craniosynostosis: altered patterns of TGF -receptor expression induced by intrauterine head constraint. Ann Plast Surg 46: 546-553
(3)Kirschner R E, Gannon F H, Xu J et al 2002 Craniosynostosis and altered patterns of fetal intrauterine constraint. Plast Reconstr Surg 109: 2338-2346
(4)Smartt J M Jr;Karmacharya J, Gannon F G 2005 Intrauterine fetal constraint induces chondrocyte apoptosis and premature ossification of cranial base. Plast Reconstr Surg 116:1363-1369
(5) Magge S N , Westerveld M, Pruzinsky T et al 2002  Long-term neuropsycological effects of sagittal craniosynostosis on child development. J Craniofac Surg 13: 99-104
(6)Lehman S 2006 Strabismus in craniosynostosis. Curr Opin Ophthalmol 17: 432-434
(7) Kapp-Simon K A, Figueroa A, Jocher C A et al 1993 Longitudinal Assessment of mental development in infants with nonsyndromic craniosynostosis with and without cranial realese and reconstruction. Plast Reconstr Surg 92: 831-839
(8) Baranello G, Vasco G, Ricci D et al 2007 Visual function in nonsyndromic  craniosynostosis: past present and future. Childs Nerv Syst 23: 1461-1465
(9) Dias M S, Klein D M 1996 Occipital plagiocephaly: deformation or lambdoide Synostosis? A unifying theory regarding pathogenesis.Pediatri Neurosurg 24: 69-73
(10) Littlefield T R, Kelly K M, Pomatto J K et al 1999 Multiple-birth infants at higher risck for development of deformational plagiocephaly. Pediatrics 103: 565-569
(11) (14)(17)Peitsch W K, Keefere C H, LaBrie R A et al 2002 Incidence of cranial asymmetry in healthy newborns. Pediatrics 110 (6): E72
(12)  Argenta L C, David L R, Wilson J A et al 1996 An increase in infant cranial deformity with supine sleeping position. J Craniofac Surg 7: 5-11
(13) (16)Mulliken J B, Vander Woude D L, Hansen M et al 1999 Analysis of posterior  plagiocephaly: deformational versus
(15) Turc A E,McCarthy J G, Thorne C H et al 1996 The back to sleep campaign and deformational plagiocephaly; is there a cause for concern? J Craniofac Surg 7: 12-18
(18)Mehta M H the natural history of infantile idiopathic scoliosis. In A. Zorab (ed) scoliosis- acad,press, Ed. London 1976,PP 103-122
(19) McMaster M J Infantile idiopatic scoliosis:Can it be prevented? –J Bone Joint Surg, 1983, 65-B, 612-617
                      

 

 

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