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SCIENCE NEWS Nº16 | DEZEMBRO | 2008 |
| MEDICINA INTEGRADA E FUNCIONAL | |
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Perda de testosterona no envelhecimento masculino - tratar ou não tratar, eis a questão! A testosterona é uma hormona sexual com importante acção no homem. Abrange a função eréctil, a libido, o humor, a densidade óssea, a massa muscular, a degradação da gordura, os vasos sanguíneos e o sistema imunitário. Hipogonadismo é o termo usado para níveis baixos de testosterona e suas consequências; no homem idoso, essa condição é designada de andropausa ou deficiência de androgénio associado ao envelhecimento. A partir dos 30 anos verifica-se uma queda gradual nos níveis desta hormona atingindo uma perda de 20% aos 80 anos. A perda de testosterona tem sido associada a doenças do coração, incluindo doença das artérias coronárias, e ao aumento da mortalidade por doença cardiovascular e por todas as causas. Um nível baixo de testosterona pode pois ser um indicador de risco cardiovascular. Um nível baixo desta hormona predispõe para o síndrome metabólico, incluindo resistência à insulina (20 a 64% dos homens com diabetes tem níveis baixos de testosterona), pelo que, o doseamento da testosterona, poderá ser marcador de risco e detecção precoce da diabetes. Constatou-se ainda sua relação com aumento da fragilidade óssea. O nível baixo de testosterona está relacionada com a depressão, perda de memória e demência. Alguns estudos demonstraram diminuição da depressão após correcção do nível de testosterona bem como uma melhoria das capacidades cognitivas e da memória. Que benefícios resultam da toma de suplementos de testosterona? A manutenção de um nível adequado desta hormona melhora o síndrome metabólico, a sensibilidade à insulina, contribuindo para melhor regulação do nível de açucar no sangue; ajuda ainda a diminuir a obesidade, pois inibe o armazenamento da gordura e estimula a sua eliminação. A toma de testosterona como suplemento associa-se a uma redução do risco cardiovascular, com benefício na doença isquémica e na saúde dos vasos sanguíneos em geral. Contribui para uma melhor saúde óssea, aumento da massa muscular, potenciando a capacidade física bem como a função sexual. Não há evidência de risco de cancro da próstata associada à suplementação com testosterona. Num artigo da conceituada revista médica “New England Journal of Medicine” de 2004, os autores concluiram “não existir evidência convincente que sugira que homens com altos niveis de testosterona ou tratados com suplementos de testosterona tenham risco aumentado de cancro da próstata”. De facto, os estudos sugerem sim um benefício para a próstata em homens com testosterona baixa/normal (desde diminuição do tamanho da próstata, do nível de PSA – um marcador de risco de cancro – até à melhoria das queixas urinárias associadas ao aumento da próstata). Assim é improvável que a suplementação com testosterona seja prejudicial em pacientes sem cancro da próstata. É contudo fundamental o correcto rastreio de cancro da próstata antes de iniciar o tratamento. De facto, a suplementação com testosterona está totalmente contra-indicada em homens com cancro da próstata. “Doutor, preciso de corrigir a minha testosterona?” O tratamento implica uma abordagem caso a caso, que deve ser integrada, ou seja, incluir modificações no estilo de vida, nomeadamente no regime alimentar (incluindo suplementos derivados de plantas), e prática de exercício bem programado e ajustado à idade. A toma oral de testosterona não é adequada pois a sua destruição no fígado é rapida e resulta em níveis inconstantes no sangue. Certas preparações orais estão até proibidas, dado o risco de toxicidade hepática. A melhor escolha pode passar pela aplicação transdérmica de um creme de testosterona natural. Outra opção é forma injectável. É ainda aconselhável repetir análises sanguíneas entre 1 a 2 meses após início do tratamento. Na metabolização da testosterona pode ocorrer a sua transformação em estrogéneos. Este facto tem dois inconvenientes: por um lado há a diminuição da quantidade útil de testosterona a poder ser usada pelos diversos órgãos, por outro lado, o aumento destes estrogénios é que constitui um perigo para a saúde da próstata. Torna-se então necessário adicionar ao tratamento certos medicamentos e fazer alterações na alimentação quer para impedir essa transformação, quer para bloquear a acção nefasta dos estrogénios. Outros medicamentos podem justificar-se ainda para reduzir os níveis de um derivado da testosterona (desidrotestosterona), pois níveis baixos desta substância se associam a menor incidência de problemas prostáticos. Discuta com o seu médico a manutenção adequada do seu nível de testosterona! Bibliografia 1. Navar P. Optimizing testosterone levels in aging men. Life Extension. Julho 2008. 2. Snyder P. Hypogonadism in Elderly Men — What to Do Until the Evidence Comes. N Engl J Med 350, 5; Jan 29, 2004. 3. Nair k. DHEA in Elderly Women and DHEA or Testosterone in Elderly Men. N Engl J Med 355; 16; Out 19, 2006. 4. DHEA and Testosterone in the Elderly. Letters to the Editor. N Engl J Med 356;6. Feb 8, 2007. 5. Rhoden L. Risks of Testosterone-Replacement Therapy. N Engl J Med 350;5. Jan 29; 2004. 6. Sweart P. Aging and Fountain-of-Youth Hormones. Editorial. N Engl J Med 355;16. Out 19;2006. 7. McVary KT. Erectile Dysfunction. N Engl J Med 357;24. Dez 13, 2007.
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