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Radicais Livres de Oxigénio -
o equilíbrio instável no fio da navalha Entre 2% a 5% do oxigénio que respiramos em vez de ser utilizado para a produção de ATP (a forma celular de energia) é desviado para a produção de "espécies reactivas de oxigénio (Reactiv Oxigen Species)" ou "radicais livres de oxigénio". Mas o que são estes "radicais livres de oxigénio"?
São átomos de oxigénio a que falta um ou mais electrões no orbital externo. Esta é uma forma química muito instável, impossível de ser mantida, o que obriga este átomo de oxigénio a procurar ligar-se imediatamente a um outro átomo de qualquer outra substância e partilhar com essa substância um dos seus electrões, tornando-se assim quimicamente mais estável. Há vários tipos de Radicais Livres de Oxigénio (ROS) conforme o número e o local onde faltam electrões: Radical Superóxido, Peróxido de Hidrogénio, Radical Hidroxilo, Oxigénio Singulet, para nomear os principais. A grande capacidade de oxidação destes átomos é utilizada pelo nosso organismo para agredir as bactérias e ajudar a eliminar células malignas, ambas especialmente frágeis à oxidação. Por outro lado, o nosso organismo tem que defender as suas estruturas deste fenómeno de agressão bioquímica. Para isso conta com a acção de enzimas com capacidade anti-oxidante - a catalase, a superóxido dismutase e o sistema glutatião - e socorre-se ainda de vitaminas, minerais e fitonutrinetes para evitar a oxidação dos elementos celulares. A Vitamina C é a vitamina antioxidante das estruturas ricas em água. A Vitamina E é a vitamina antioxidante das estruturas ricas em lípidos. Pela acção interveniente em algumas enzimas antioxidantes, é de realçar o papel antioxidante do Selénio, Magnésio, Manganês e Zinco. As plantas tiveram que ser capazes de criar mecanismos de protecção contra a forte acção oxidante dos raios solares. Criaram um número muito elevado, ainda não completamente conhecido, de substâncias antioxidantes presentes nos pigmentos coloridos, desde o amarelo, os alaranjados, aos vermelhos e arroxeados, que integram o conjunto mais vasto dos fitonutrientes. Os processos de oxidação celular são mais nefastos para as estruturas com elevado teor de gorduras, o que é o caso as membranas celulares.
A oxidação celular está associada e é, segundo alguns autores, a principal causa de envelhecimento do nosso organismo. Facilita a formação de células malignas e aumenta a incidência de cancro. Agrava a progressão de todas as doenças degenerativas associadas ao envelhecimento. Agrava e aumenta as rugas da pele. Os factores que mais contribuem para aumentar a produção de radicais livres de oxigénio são: radiações, fumo do tabaco (activo e passivo), exercício físico intenso, infecções, processos inflamatórios agudos e crónicos, intoxicação por metais pesados - mercúrio, alumínio, chumbo, níkel, são os mais frequentes - e stress intenso. O estilo de vida actual é, pois, um factor que contribui para a excessiva produção de radicais livres de oxigénio. Por outro lado, a alimentação moderna raramente consegue fornecer a quantidade adequada de antioxidantes. Compreende-se assim que grande parte dos adultos esteja em desequilíbrio deste sistema e entre no que se conhece por Stress Oxidativo: excesso de radicais livres que não sendo neutralizados eficazmente vão oxidando progressivamente as estruturas celulares. A toma de suplementos nutricionais com antioxidantes parece ser a solução óbvia. Mas precisamos de manter uma quantidade (2% a 5% do oxigénio que respiramos) de segurança para podermos atacar as bactérias e eliminar as células malignas. Por esta razão, a necessidade da toma de antioxidantes deve ser avaliada. A toma muito prolongada de suplementos com antioxidantes deve ser periodicamente controlada. No nosso consultório utilizamos um equipamento que quantifica quer a produção de radicais livres de oxigénio, quer a capacidade biológica antioxidante. Assim, podemos decidir com segurança quando é essencial a toma de antioxidantes para evitar e compensar o nefasto stress oxidativo sem corrermos o risco de baixar a defesa natural face à infecção às células malignas.
Cristina Sales |
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