1.gif NEWSLETTER  | ABRIL | 2007
MEDICINA INTEGRADA E FUNCIONAL
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 A flora intestinal e o nosso organismo, uma simbiose com milhões de anos!


 O nosso tubo digestivo é povoado por cerca de 500 biliões de bactérias de cerca de 400 estirpes diferentes e cujo peso se situa entre 1 e 2 kg.

 Segundo alguns autores, ao longo da evolução das espécies e nos primórdios da humanidade, a ingestão de tubérculos e raízes terá sido o meio pelo qual foram introduzidos no tubo digestivo dos humanos várias espécies de microorganismos normais habitantes do solo. O recém-nascido é rapidamente povoado pelas bactérias das floras vaginal e intestinal da mãe, bem como do meio envolvente.

 Os vários órgãos do sistema digestivo têm um conjunto específico de microorganismos que lhe são próprios e ajudam ao equilíbrio do seu metabolismo. A boca, o estômago, o duodeno, intestino delgado e o cólon têm a sua flora específica.

 No entanto, é a flora intestinal - do intestino delgado e cólon - que assume um papel de maior relevo. A flora intestinal vive em simbiose connosco e dela dependem vários factores muito importantes para a manutenção da nossa saúde.

 As bactérias da flora intestinal digerem, para a sua própria alimentação, as fibras vegetais, solúveis e insolúveis, que ingerimos. Neste processo são produzidos ácidos gordos de cadeia curta - butirato, acetato e propionato - que, por sua vez, são o principal "combustível" utilizado pelos enterócitos, as células da parede da nossa mucosa intestinal.

 Assim, o correcto equilíbrio da flora intestinal é indispensável para a manutenção da integridade da mucosa intestinal. Se a parede intestinal não estiver íntegra deixa de ser capaz de absorver os nutrientes de uma forma controlada e selectiva.

 A flora intestinal é indispensável para a produção de vitamina K e de várias vitaminas do complexo B. Uma flora intestinal desequilibrada, facilmente dá origem a uma deficiência crónica destas vitaminas.

 A flora intestinal é muito importante para a correcta estimulação imunitária. Uma flora intestinal desequilibrada é causa de distúrbios vários na resposta imunitária, que vão desde uma menor capacidade de defesa face aos microorganismos causadores das infecções correntes ORL, respiratórias e urinárias até à facilitação do aparecimento ou incremento de doenças auto-imunes e alérgicas.

 A flora intestinal ajuda a diminuir a absorção de colesterol no intestino, o que se reveste da maior importância na prevenção das doenças cardio-vasculares.

 Quais são as causas de desequilíbrio da correcta flora intestinal?
 Citemos as mais importantes: stress, mudanças de altitude, fome, parasitas, diarreia, o uso de antibióticos, e os seguintes factores alimentares:

 Alta quantidade de proteína
 Alta quantidade de açúcar
 Alta quantidade de gordura
 Baixa quantidade de fibra
 Alergias e intolerâncias alimentares
 Falta de secreções digestivas

 O conjunto de uma flora intestinal desequilibrada tem o nome de disbiose intestinal.

 Na disbiose intestinal encontramos com frequência a diminuição da flora saprófita - Lactobacilos acidófilus e Bifidobactérias -, a presença de parasitas, o desenvolvimento excessivo de bactérias da flora passageira e de Candida Albicans.

 A levedura Candida Albicans é um componente normal da flora intestinal, que, em condições favoráveis, se desenvolve muitíssimo e se torna, então, responsável por quadros clínicos graves com manifestações sistémicas múltiplas: dores abdominais persistentes sem causa identificável, diarreias recorrentes, má absorção com desnutrição crónica em nutrientes essenciais, emagrecimento, perturbações do sono e manifestações de depressão e/ou ansiedade.
Raramente a disbiose por Candida Albicans é correctamente diagnosticada, podendo este quadro arrastar-se por vários anos sem o tratamento eficaz.

 A deficiência em Lactobacilos acidófilus é causa de diarreia recidivante, enquanto a deficiência em Bifidobactérias se manifesta, habitualmente, por obstipação crónica.

 Para a correcção da deficiência em flora saprófita - Lactobacilos acidófilus e Bifidobactérias - é necessária a toma de suplementos com estas bactérias (pró-bióticos) durante 6 a 12 meses, bem como de fibras que lhe sirvam de suporte alimentar (pré-bióticos).

 A disbiose intestinal é uma das causas do Síndrome de Hiperpermeabilidade Intestinal (Leaky Gut Syndrome). Uma outra causa, muito importante, é a ingestão de alimentos a que se é intolerante.

 A diminuição da quantidade de Lactobacilos acidófilus e Bifidobactérias leva à produção insuficiente dos ácidos gordos de cadeia curta - butirato, acetato e propionato - que, como se disse, alimentam os enterócitos e mantêm íntegra a mucosa intestinal.

 Se houver um excessivo desenvolvimento de Candida Albicans, esta agride, por meios mecânicos e químicos, a mucosa intestinal. A presença de parasitas, com destaque para o Clostridium, agrava significativamente o quadro clínico.
Nestas circunstâncias, a mucosa intestinal fica hiperpermeável e deixa de ser capaz de, por um lado, absorver correctamente os nutrientes essenciais e, por outro, permite a absorção errada de substâncias que vão ser reconhecidas pelo sistema imunitário como estranhas (super antigénios).
Assim, o Síndrome de Hiperpermeabilidade Intestinal (Leaky Gut Syndrome) conduz a uma desnutrição crónica e ao desenvolvimento de doenças alérgicas e auto-imunes.

 O diagnóstico da Disbiose Intestinal e a correcção e manutenção de uma equilibrada e saudável flora intestinal é um passo incontornável e fundamental no tratamento de múltiplas doenças crónicas em Medicina Funcional e Integrada.

Cordialmente,

Cristina Sales

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