1.gif NEWSLETTER  | ABRIL | 2009
MEDICINA INTEGRADA E FUNCIONAL
3.gif  O Institute of Medicine (IOM) - Instituto de Medicina – é um organismo consultor do governo americano sobre opções políticas e organizacionais de saúde para os USA. Integra as várias academias nacionais de ciência.

 Nos dias 25-27 de Fevereiro último reuniu-se com o objectivo de estudar Medicina Integrativa como uma orientação para a melhoria da saúde pública nas opções do actual governo americano.

 O discurso de abertura do seu presidente Professor Doutor Harvey V. Fineberg, M.D., Ph.D. revela uma posição histórica, de grande acutilância e actualidade que merece ser amplamente divulgada.

 Fizemos, por isso a tradução que segue. É um sinal dos tempos e da mudança profunda que já está em curso na Medicina do outro lado do Atlântico.

 "É um prazer receber-vos e dar-vos as boas vindas ao nosso Congresso sobre Medicina Integrativa e Saúde Pública.

 Este é a maior e mais diversa audiência que já reunimos no nosso Instituto de Medicina (…)

 Encontramo-nos para uma grande jornada durante os próximos 2 dias e meio, para uma intensa troca de ideias e ideais de Medicina Integrativa. 

 (... agradecimentos)

 Quando falei com as pessoas sobre Medicina Integrativa, senti que estava quase a fazer uma espécie de teste psicológico de Rochard - cada qual vê coisas diferentes.

 Medicina Integrativa significa, para diferentes pessoas, muitas coisas diferentes.

 Para mim, são pelo menos cinco, as dimensões de Medicina Integrativa que de início eu gostaria de mencionar. Esta não é de todo uma descrição completa mas posso dizer-vos que cada uma foi representada nas conversas que tive.

 A primeira é que, de certa forma, a Medicina Integrativa completa a definição de saúde da antiga Organização Mundial de Saúde, que era claramente mais que uma ausência da doença.  A Medicina Integrativa olha para a extensão e compreensão da doença envolvendo o físico, o mental, o emocional e o espiritual, reunindo todas essas dimensões.

 Recordei há pouco tempo, através de um relatório apresentado pela Instituto de Medicina sobre cuidados do cancro com o tratamento físico da doença e foi neste sentido de entendimento integrador  de saúde que percebi o primeiro significado do que é ser integrativo.

 Em segundo lugar, a Medicina Integrativa estende-se a todo o espectro de intervenções, desde prevenção, tratamentos, reabilitação e recuperação.

 A medicina integrativa olha para tudo o que contribui, mantém e restaura a saúde.

 Essa é outra vertente do que é ser integrativa - a dimensão das intervenções.

 Em terceiro lugar, a Medicina Integrativa pensa sobre a coordenação entre os cuidados dos  prestadores de saúde e das instituições envolvidas nos  serviços de tratamento a cada paciente.

 Quarta, e de certa forma acredito que esta é a fundamental, a Medicina Integrativa significa integrar ao redor e no interior de cada paciente.

 O centrar os cuidados de saúde no paciente foi o que o Instituto de Medicina utilizou na definição das 6 dimensões de qualidade de saúde, dimensões essas em que os cuidados de saúde são seguros, eficazes, eficientes e centrados no paciente.

 O colocar o paciente no centro da atenção é fundamental e, de certa forma, é a vertente mais negligenciada das muitas dimensões da qualidade da prestação dos cuidados de saúde. O que a Medicina Integrativa pretende é destacar e focar que o paciente deve ser o centro dos seus interesses na saúde.

 E, finalmente, a Medicina Integrativa transmite uma abertura para múltiplas modalidades de prestação de cuidados, cuidados convencionais na medicina moderna mas também não convencionais, sendo que estes se aplicam a pacientes e que os ajudam de diferentes formas a gerir a recuperação e a restaurar a saúde. Essa abertura para as múltiplas modalidades de cuidados é um sinal de quem, antecipadamente, avançou com o conceito de Medicina Integrativa.

 Do ponto de vista de alguns cientistas, dos membros e associados das Academias Nacionais, existe a suspeita, a dúvida, e devo dizer que também a desconfiança, em relação a todas as alegações feitas sobre o que realmente funciona na medicina.

 Penso que temos de aplicar o mesmo padrão de prova a qualquer ideia proposta sobre o que vai, ou não, funcionar nos cuidados de saúde. Esta é a ideia crucial que foi apresentada na estratégia de investigação sobre os tratamentos convencionais e que o Instituto de Medicina adoptou, há alguns anos e que se aplica hoje com o mesmo vigor.

 O que as pessoas muitas vezes não apreciam é que, às vezes, mesmo as coisas que reconhecemos como sendo extremamente úteis e eficazes, não possam ter o correcto entendimento do porquê de como elas funcionam.

 Se recuarmos à história da saúde pública, a origem do mais importante salto qualitativo sanitário na Europa foi a limpeza e o saneamento de saúde pública no séc. XIX. Os defensores do saneamento para a separação dos esgotos, acreditavam firmemente na teoria dos miasmas, anterior à teoria dos germes. Eles estavam certos pela razão errada.
 Às vezes é preferível estar certo pela razão errada do que estar errado pela razão certa!

 Pensemos agora, numa das mais criticas doenças que atingem o planeta - a malária. O primeiro tratamento eficaz da malária, a quinina, chega-nos da Amazônia e o tratamento actual, que é ainda o fundamento do seu moderno tratamento e que tem sido usado  ao longo deste século, são os extractos de plantas medicinais chinesas.

 A linha divisória não é sobre a origem, nem mesmo sobre a teoria, a linha divisória na minha mente deve ser a evidência.

 E o que mostram as evidências?

 Finalmente, para mim o denominador comum a estas cinco dimensões é a confiança na evidência, sendo este, um reflexo de uma filosofia de saúde e cuidados.

 É uma filosofia que abrange o paciente como o centro, é uma filosofia que fala de prevenção assim como de tratamento, é uma filosofia que integra todas as instituições e os prestadores de cuidados, é uma filosofia que está aberta a uma variedade de modalidades desde que estas funcionem e é uma filosofia que, na minha opinião, define a medicina integrativa.

 Espero que possamos abordar este assunto num espírito de diálogo, dando e recebendo, conhecendo e aprendendo todos ao mesmo tempo."

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